terça-feira, 27 de setembro de 2011

Evento Preservação Digital

De 13 a 15 de setembro de 2011 aconteceu o CTCM (Conferência sobre Tecnologia Cultura e Memória) em Recife.

O evento foi um dos raros momentos onde se discute a questão do documento digital e, inclusive, houve muito espaço para o tema Preservação Digital.

Vale a pena verificar o link do evento http://www.liber.ufpe.br/ctcm/programa.php

No evento, tivemos a oportunidade de apresentar um trabalho sobre Preservação do Vídeo Digital, agora é aguardar a publicação dos ANAIS para conferir o artigo completo.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dilema Digital

Em 2007 e 2008, a academia de Artes e Ciências de Hollywood publicou um trabalho interessante sobre a preservação do cinema diante da realidade digital. O título original do trabalho é Digital Dilema.

A cinemateca brasileira, publicou uma versão brasileira disponível gratuitamente em seu sítio. Quem quiser pode adquirir uma versão impressa pagando uma módica quantia.

Segundo a versão brasileira "Esperamos criar, com esta publicação, uma oportunidade para que todos os interessados na preservação e na difusão do patrimônio cinematográfico e audiovisual possam se associar na busca por soluções ainda não encontradas e que não podem ser alcançadas sem a união de muitos esforços.”

Agora é conferir o trabalho!!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Política da UNICAMP

Ocorreu na semana passada um evento na UNICAMP em São Paulo sobre repositórios de documentos digitais, estes são os links para os slides e para as palestras e entrevistas com os organizadores.

Tive a oportunidade de participar do evento e tomei conhecimento de uma resolução da UNICAMP publicada em 1º de julho de 2011.

O documento me parece da maior importância!!

São 37 artigos e dois anexos que “Estabelece diretrizes e define procedimentos para a gestão, a preservação e o acesso contínuo aos documentos arquivísticos digitais da Universidade Estadual de Campinas.”

Desses artigos, seis deles tratam especificamente de preservação digital. Os demais tratam de gestão, digitalização e segurança de documentos digitais.

Até onde já pude descobrir, trata-se da primeira política de preservação digital brasileira, ainda que não trate somente de preservação digital. É motivo para se comemorar!!!

No link acima pode-se acessar o texto completo e os artigos sobre preservação digital são:
Art. 21 - Aos órgãos e unidades custodiadores de documentos arquivísticos digitais, integrantes ao SIARQ/UNICAMP caberá:

a) adotar estratégias, procedimentos e técnicas de preservação digital com sustentação legal, de maneira a possuir infra-estrutura organizacional, incluindo recursos humanos, tecnológicos e financeiros adequados, para produzir, receber, descrever, preservar e dar acesso aos documentos arquivísticos digitais sob sua guarda, garantindo o armazenamento e segurança pelo tempo que for necessário;

b) garantir a manutenção e atualização do ambiente tecnológico como hardware, software, formatos de arquivo e mídias de armazenamento digital, responsável pela preservação e acesso aos documentos arquivísticos digitais.

Art. 22 – As estratégias, procedimentos e técnicas de preservação deverão ser integrados aos programas de gestão arquivística de documentos, registrados e revisados periodicamente, visando controlar os riscos decorrentes:

a) da degradação do suporte (mídia);
b) da obsolescência tecnológica;
c) da dependência de fornecedor ou fabricante.

Art. 23 – Os riscos decorrentes da degradação do suporte devem ser evitados por meio da adoção de adequadas condições ambientais de armazenamento e manipulação, do uso de suporte de qualidade, com vida útil prevista apropriada aos propósitos da preservação, do controle do processo de gravação, da geração de cópias de segurança e seu armazenamento em local fisicamente separado, e da aplicação de técnicas de migração, antes do fim da vida útil do suporte.

Parágrafo único - As condições ambientais adequadas para armazenamento do suporte e a sua vida útil prevista ou pretendida devem ser indicadas pelos fabricantes e por entidades isentas e reconhecidas, com base em estatística de uso.

Art. 24 – Os riscos decorrentes da obsolescência tecnológica devem ser evitados com o monitoramento permanente dos avanços tecnológicos, ações rotineiras de manutenção e aplicação de técnicas de preservação digital comumente utilizadas, tais como migração, emulação, encapsulamento e conversão de dados.

Art. 25 - Os riscos decorrentes da dependência de fornecedor ou fabricante de software, hardware e formato devem ser evitados com a migração, com a utilização de soluções independentes e de padrões abertos de formatos de arquivo, de ampla aceitação por organismos oficiais, em âmbito nacional e internacional, e de recursos tecnológicos estáveis e consolidados no mercado.

Art.26 - As ações de preservação são contínuas e devem ser implementadas e monitoradas desde a produção dos documentos até a sua destinação final por sistema informatizado de gestão arquivística, a que se refere o artigo 5º desta Resolução.

Parágrafo único – A recuperação e disponibilidade do acervo digital deverão ser asseguradas mediante eventual descontinuidade, sinistro ou falta de manutenção de sistema informatizado de gestão arquivística, ou de quaisquer outros sistemas gerenciadores.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Preservação de CDs

Há um relatório sobre a preservação de CDs e DVDs de ótima qualidade e bastante completo. Já conhecia este trabalho a alguns anos, mas hoje me deparei com um anexo dele que é um Guia Rápido sobre cuidados com o manuseio e guarda de CDs e DVDs. Achei uma boa idéia reproduzí-lo aqui.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Formatos & Preservação Digital

O termo formato parece ser muito caro quando se trata de Preservação Digital. Aparece com muita frequência nos textos e discussões sobre PD e a meu ver aparece em contexto de grande importância.
Por isso, vamos abordar esse tema nas próximas postagens!

Em se tratando desse termo, o que aparece com mais frequência, no âmbito de discussões sobre PD, é o termo formato de arquivo. Mas vamos abordar também os formatos de mídia.
Vamos iniciar recuperando algumas definições sobre esses termos:


Formato de Arquivo


“The organization of data within digital objects, usually designed to facilitate the storage, retrieval, processing, presentation and/or transmission of the data by software.” O que traduzimos como “A organização de dados em objetos digitais, usualmente projetado para facilitar o armazenamento, recuperação, processamento, apresentação e/ou transmissão de dados por software.” (Interpares)


Digital Object


“A discrete aggregation of one or more bitstreams and the metadata about the properties of the object and, if applicable, methods of performing operations on the object.” O que traduzimos como “Uma agregação discrete de um ou mais sequências de bits (bitstreams) e os metadados sobre as propriedades dos objetos e, se aplicável, métodos para executar operações nesse objeto.” (Interpares)

Não encontrei definições para formatos de mídia, talvez porque não sejam chamados por este termo. Encontrei:


Digital Medium


“Physical material, such as a CD, DVD, DAT or hard disk, used for storage of digital data.” Ou “Material físico, como um CD, DVD, DAT ou disco rígido, usado para armazenamento de dados digitais.” (Interpares)
Essas definições serão nossos pontos de partida. Até a próxima!

Estratégias para preservação e acesso

No Recife, em meados de setembro acontece o Conferência sobre Tecnologia , Cultura e Memória : Estratégias para a preservação e o acesso à informação (CTCM).

Vale a pena conferir a programação!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Documentos digitais e sua migração

Vamos tratar aqui sobre o problema da migração de documentos digitais, no que diz respeito à parte lógica do documento digital, ou seja, tudo menos o suporte físico utilizado em seu registro. Infelizmente, não se trata de uma tarefa simples, como pode dar a impressão de ser à primeira vista.

Vamos começar analisando o quê pode ser migrado, para depois entrar na seara sobre como isso deve acontecer.

Basicamente, o que pode ser migrado é o formato de arquivo utilizado no documento digital, por exemplo, um formato JPEG ou um formato TXT. No entanto, minhas pesquisas tem mostrado que formatos de arquivo podem ser muito complexos. Dependendo do formato de arquivo específico, será necessário considerar a criptografia utilizada, o tipo de compressão de dados utilizado ou o conjunto de metadados adotado. Além disso, notadamente para os formatos de vídeo digital, não se trata necessariamente de um único formato de arquivo, mas de um conjunto de elementos utilizados para o registro do vídeo digital. Dessa forma, é preciso cuidado ao se falar em migrações de formatos de arquivo, pois para cada caso considerado, vários outros problemas podem ter que ser analisados e solucionados.

Intimamente ligado à questão anterior, há considerações sobre como executar a migração, ou melhor, o que considerar durante o processo em si de migração. Essas considerações terão como resultado um documento digital migrado que possui Autenticidade ou não. O termo Autenticidade aqui significa “Valor de confiabilidade de um documento como documento, ou seja, a qualidade de um documento de ser o que se propõe a ser e que está livre de alterações ou corrupções.” (projeto INTERPARES termo authenticity).

Dependendo do conteúdo do formato de arquivo, certas características técnicas deverão ser consideradas. Por exemplo, para o vídeo digital, a nova versão produzida deve possuir a mesma qualidade do original, em termos de resolução de imagem. Não poderá haver alterações substanciais nas cores originais.

O ambiente onde ocorre a migração também deve ser levado em consideração. Assim, pode ser necessário controle (através de registros de auditoria) e autorização para fazer esse processo. Dependendo do documento digital, poderá ser necessária autorização legal para execução dessas migrações.

Os custos envolvidos pode ser um outro fator importante a ser levado em consideração. Isso se aplica a casos onde há um grande volume de documentos digitais necessitando de migração. Importante lembrar que esse processo pode precisar ocorrer juntamente com a migração dos suportes utilizados e seus respectivos custos.

Finalmente, em relação ao como fazer migrações de formatos de arquivo, será de grande ajuda o uso de critérios para a escolha de um novo formato de arquivo, esses critérios são baseados tanto em aspectos técnicos como também pretendem garantir autenticidade da migração executada. Nossa dissertação de mestrado investigou exatamente esse aspecto da preservação digital e pode ser de ajuda para quem esteja envolvido com esse problema.

Até a próxima.